segunda-feira, 25 de março de 2013

Cheerleader



De volta ao clube dos solteiros, passei a noite desta segunda-feira me perguntando como afinal de contas seria o amor da minha vida. Fiz mil jogos de adivinhações.

Sei que torço para que ele goste de pizza de pepperoni, séries, e seja viciado em filmes. Espero que adore sexo, conheça suas nuances, queira aprender e ensinar. Que se renda sempre ao ímpeto de me tomar em seus braços e me beijar como se o mundo fosse acabar naquele instante.

Não torço por sua cor, peso, idade, religião ou escolha política. Torço para que saiba o que quer da vida, tenha atitude e me tire para dançar, mesmo que eu dê lá os meus pisões em seus pés. Torço para que goste de sair para comer, não importa se para experimentar a esfiha do boteco da esquina ou um filet no La Tambouille.

Torço para que goste de cães e não seja o John Cusack, já que ele mora muito longe. Torço para que veja graça nos meus gestos mais sutis. Torço para que goste de frio e aprecie o delicioso cheiro de terra molhada. Torço para que goste de viajar, ou ao menos tenha planos a respeito... comigo! Seja para a cidadezinha ali do lado ou para outro continente.

Torço para que respeite gostos musicais. Que dê uma topada com o dedinho na quina do móvel, pragueje, e deixe passar. Que cometa gafes e saiba rir de si mesmo.
Torço para que pratique e entenda ironias, sem forçar.

Torço para que goste de ter ao seu lado uma mulher que manda cortar a franja sem planejar e faz convites sem saber exatamente para onde, mas gosta de ter hora pra voltar. Que saiba que muitas vezes por trás dessa mulher decidida há uma carinha de pidona que aparece sem avisar. Torço para que também tenha um plano de vida que inclua namorar, noivar e casar. Saboreando cada etapa desse processo.

Torço para que, mesmo quando se sentir derrotado, conteste, argumente, não se renda sem lutar. Torço para que dê o sangue por tudo que acreditar.

Torço para que entenda o significado de "eu te amo".
Torço para que exista. Não para agora. Agora, quero é sossego.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Ser firme ou bater forte?


Ser bom de briga não se resume a reverberar.
Talvez seja fazer o que ninguém mais parece disposto a fazer. Ter iniciativa, coragem e ir lá buscar o que é seu, independente de onde se encontre esse tal de "lá".

É sempre bom lembrar que esforço não oferece garantias. Ninguém está livre do fracasso simplesmente por ter se dedicado a uma tarefa. Não parece uma boa estratégia aplicar um ideal de camelô paraguaio - "La garantia soy yo" - a tudo que se faz.

Dizem que tenho uma planilha até mesmo para respirar, e se por um segundo eu perder o fôlego, vou querer saber o que ocorreu nesse intervalo.
Há quem chame de neurose, mas eu prefiro chamar de planejamento. Sou daquelas pessoas que quando têm uma ideia e nenhum papel à vista, anotam na própria mão, nos braços, na nuca do colega da frente. Não importa.
Uma boa ideia não pode escapar.

Claro que tenho meus momentos de hesitação, mas prefiro dar a cara a tapa. Por que não mostrar meus planos infalíveis a alguém que tem mais experiência? Nada como não ter medo de fazer papel de bobo. E não é que bancar o bobo de vez em quando pode ser uma delícia? A chance de passar vergonha e ir à lona só me lembra que lonas podem ser um bom ponto de impulso.

Com o passar dos anos, aprendi que tanta disposição precisa ser dosada, não reprimida. Saber identificar boas oportunidades de ficar calada tem sido uma habilidade a exercitar. Às vezes, mais vale olhar nos olhos e ouvir com atenção. Saber ser subordinada. Mesmo o mais inexperiente tem algo a ensinar, ainda que seja "como não fazer".

Se quiser inovar, faça isso calculando os seus riscos e gerenciando suas crises. Jamais descaracterize quem você é. Essência é uma coisa que só queimamos quando está contida em incensos.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Relacionamento sério: método infalível para aumentar o pênis


É verdade: a maioria das mulheres tem um quê de mocinha que vai verificar o barulho no porão. Não adianta. Tateamos no escuro com o coração acelerado, torcendo para que seja um alarme falso.

Há um tempo, tive a curiosidade de ver o último número discado no celular de um namorado, e lá estava: uma ligação de 20 segundos para 9876-5432, exatamente no horário em que ele chegou na minha casa. Peraí...quer dizer que ele desligou o telefone com pressa assim que eu abri a porta? Eu lembro que ele estava com o celular na mão! Ou não? Não importa! A quem ele estava avisando sobre seu paradeiro? Quero saber quem é essa sirigaita! (porque me baixa um sentimento cangaceiro nessas horas)

Muitos "QUE PORRA É ESSA, GUILHERME?!" depois, e ele me explicou que o número era aleatório, coisa de teclado touch dentro do bolso. Morrendo de vergonha, mas ainda com alguma dignidade, disquei o número (ah é?! ah é?!). É, os 20 segundos só informavam que o tal não existia. Meu namorado estava tendo um caso com a Claro.

Ensaiamos alguma culpa quando esses episódios acontecem, mas sabemos que internamente pisca o alerta "não foi desta vez". Detestamos o ditado "quem procura, acha".

Homem comprometido vira garanhão. Toma conhecimento de vadias que jamais imaginou ter e tem a péssima ideia de contra-argumentar "Mas a Carlinha? Não, amor, ela é minha amiga, estudou comigo no...", até ser interrompido por "não defenda essa piranha pra mim!".

Ciumentas do meu Brasil, só é amor se disser "Vai! Vai lá com ela!"?

terça-feira, 17 de julho de 2012

Shut up!


Se existe um título mundial destinado a pessoas que se dão mal quando aconselham amigos em discussões amorosas, esse danado me pertence e "eu conheço os meus direitos!".

É fato que nenhum de nós deseja ouvir o tal de bom conselho. Queremos colo, alguém com quem traçar planos de aniquilação, lançar bombas de gás lacrimogêneo ou até para um simples flerte disfarçado de apoio moral. Nós queremos um suporte para o ego. Amigo imparcial não serve. This is Sparta!

Quando a tempestade passa, somos dignos de umas bordoadas, já que não poupamos esforços para voltar para aquele traste, egoísta e estúpido que nos fez mal. Ou para aquela arrogante dissimulada. A la carte. E o amigo conselheiro, bem, esse fica com cara de tacho.

O tal indivíduo se torna o vilão oficial de qualquer coisa que você chame de romance, afinal, ele tem uma implicância inexplicável com aquele anjinho que você namora. Seu amigo que, na melhor das hipóteses, não deve ter outra coisa melhor para fazer. É um invejoso.
A solução é viver para o seu docinho de coco, sua maçã caramelada, seu pedacinho de chocolate branco com nozes, sua cuti-cuti-nhonhon...CHEGA! Já deu para entender.

Por essas e outras, ao ouvir amigos praguejando após uma discussão de casal, tornei-me adepta da expressão mais sábia já inventada: "uhum".
"Uhum" significa tanto ouvir com atenção, quanto dar a entender que concorda, e, no futuro, pode ser útil perante um tribunal. Afinal, alguma vez você afirmou alguma coisa? Que palavras utilizou?

Ah, as pessoas andam tão passionais...

terça-feira, 3 de julho de 2012

Como não ser um príncipe encantado


Tenho amigos que vivem se perguntando por que ainda estão solteiros. Por isso, fiz um apanhado de erros comuns para ajudá-los. Enjoy:

1 - Fale que sente vontade de se mudar ou morar uns tempos no exterior. Isso dá uma ótima sensação de que ela é um caso, algo passageiro, não um romance.

2 - Suma sem explicação e reapareça como se nada tivesse acontecido. Claro, não esqueça de criar uma expectativa avisando que ligará após um determinado horário. Ansiedade é tempero.

3 - Mesmo que vocês não tenham nada sério, comente sobre outras. É delicioso ter a segurança testada.

4 - Faça declarações usando clichês, como se o amor fosse um miojo e ficasse pronto em 3 minutos.

5 - Comece a colocar defeitos nela assim que ela reagir ao item 3 com algo diferente de "e aí, comeu?". Como você poderia imaginar outra reação?

6 - Fale o que der na telha, desligue o telefone para não ouvir a resposta, e fabrique uma louca não atendendo à próxima ligação ou atendendo com um "que foi?", afinal, essa mulher está obcecada por você, certo?

7 - Compare com as suas ex-namoradas ou com a namorada do seu amigo.

8 - Diga que não sabe o que quer da vida e que não come 5 grupos de alimentos diferentes.

9 - Negue fogo pela internet ou sms. Azar o dela se está com tesão quando você está longe.

10 - Mantenha fotos de viagens com a sua ex nas redes sociais. Dê a ela a sensação de que aquilo não acabou.

11 - Permita que as suas amigas façam provocações na sua página, porque, convenhamos, mulher nem gosta de marcar território.

12 - Dê check-in no Foursquare comentando que "hoje a noite promete!" quando sair sem ela.

13 - Fale da rotina como se fosse trabalhar montado num unicórnio e estacionasse em uma torre de cupcakes. Relações são baseadas apenas em diversão. Vocês não devem compartilhar dificuldades e criar uma base de companheirismo.

14 - Diga tchau quando ela disser um tchau desaforado. Ela realmente espera que você se despeça. Insistir pra quê?

15 - Espere por outro manual. Ela tem a vida toda.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Acesso


Há um quê de mágico na primeira vez em que alguém me chama de Celle.
É como se uma corrente elétrica passasse pelo meu corpo. Um gesto capaz de acalmar qualquer tempestade, acalentar num dia ruim, me eximir de ter que pedir desculpas. Ah, como é bom não ter que pedir desculpas. Peço tanto que até perde o significado.

É o anúncio de uma intimidade que se inicia. Nada a ver com romance.
Poder me chamar de Celle e me deixar à vontade com isso é um convite para jantar. Uma fofoca no Facebook. Uma ligação a qualquer hora, por qualquer motivo, porque eu pareço a pessoa certa para ouvir um desabafo. É pedir para me desmanchar.
Quer dizer que você sabe que dou patadas quando estou aflita, ou que preciso cometer uma gordice quando estou ansiosa. Quer dizer que você é o (a) parceiro (a) perfeito para isso.

Capaz que soe estranho a quem me conhece com essa cara de quem devora um geek no almoço e palita os dentes com a canetinha do seu tablet. Tenho mil mecanismos de defesa.
Quem diria que o código de acesso seria algo tão bobo? Uma parcial do meu nome. Menos mal. Seria chato se tivessem que me chamar pela data de nascimento.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Espiritualizado é o *$%#¨@&!


A tal paz de espírito tem sido tão desejada quanto o último lançamento da Polishop. Parece que vai transformar as nossas vidas assim que pusermos as mãos nela. Não, não só parece. Estar em paz realmente muda todo o panorama.

O problema está em identificá-la. Enxergo camadas e camadas de hipocrisia em gente que se diz espiritualizada falando manso, fazendo falsas preces, participando de ONG's. Bullshit. Pode haver uma ou outra pessoa que realmente faça essas coisas, mas a maioria está no auto-engano. Até que ponto as suas preces são válidas depois que você começa a maldizer os outros? Até que ponto a caridade é válida se você não estende a mão para o amigo mais próximo? Até que ponto vale falar manso se for para manipular?

Tenho procurado essa paz de espírito há mais de uma semana, embaixo de cada pedra e por trás de cada cortina, nas lojas de conveniência. Não estava lá. Esgotou. O balconista avisou que liquidaram após o carnaval.

Fui obrigada a confeccionar em casa. Costurei amizades antigas, mesmo que meio tortas; preguei alguns botões nos relacionamentos mal acabados; diminuí a barra nas discussões e tirei o fundo falso.
Até que me vestiu bem, mas sinto que acentuou a minha bunda. Todos que me vêem vestida com ela pensam "olha lá ela querendo chamar atenção". Fazer o quê. Pareceu melhor do que lavar a roupa suja.