terça-feira, 17 de julho de 2012
Shut up!
Se existe um título mundial destinado a pessoas que se dão mal quando aconselham amigos em discussões amorosas, esse danado me pertence e "eu conheço os meus direitos!".
É fato que nenhum de nós deseja ouvir o tal de bom conselho. Queremos colo, alguém com quem traçar planos de aniquilação, lançar bombas de gás lacrimogêneo ou até para um simples flerte disfarçado de apoio moral. Nós queremos um suporte para o ego. Amigo imparcial não serve. This is Sparta!
Quando a tempestade passa, somos dignos de umas bordoadas, já que não poupamos esforços para voltar para aquele traste, egoísta e estúpido que nos fez mal. Ou para aquela arrogante dissimulada. A la carte. E o amigo conselheiro, bem, esse fica com cara de tacho.
O tal indivíduo se torna o vilão oficial de qualquer coisa que você chame de romance, afinal, ele tem uma implicância inexplicável com aquele anjinho que você namora. Seu amigo que, na melhor das hipóteses, não deve ter outra coisa melhor para fazer. É um invejoso.
A solução é viver para o seu docinho de coco, sua maçã caramelada, seu pedacinho de chocolate branco com nozes, sua cuti-cuti-nhonhon...CHEGA! Já deu para entender.
Por essas e outras, ao ouvir amigos praguejando após uma discussão de casal, tornei-me adepta da expressão mais sábia já inventada: "uhum".
"Uhum" significa tanto ouvir com atenção, quanto dar a entender que concorda, e, no futuro, pode ser útil perante um tribunal. Afinal, alguma vez você afirmou alguma coisa? Que palavras utilizou?
Ah, as pessoas andam tão passionais...
terça-feira, 3 de julho de 2012
Como não ser um príncipe encantado
Tenho amigos que vivem se perguntando por que ainda estão solteiros. Por isso, fiz um apanhado de erros comuns para ajudá-los. Enjoy:
1 - Fale que sente vontade de se mudar ou morar uns tempos no exterior. Isso dá uma ótima sensação de que ela é um caso, algo passageiro, não um romance.
2 - Suma sem explicação e reapareça como se nada tivesse acontecido. Claro, não esqueça de criar uma expectativa avisando que ligará após um determinado horário. Ansiedade é tempero.
3 - Mesmo que vocês não tenham nada sério, comente sobre outras. É delicioso ter a segurança testada.
4 - Faça declarações usando clichês, como se o amor fosse um miojo e ficasse pronto em 3 minutos.
5 - Comece a colocar defeitos nela assim que ela reagir ao item 3 com algo diferente de "e aí, comeu?". Como você poderia imaginar outra reação?
6 - Fale o que der na telha, desligue o telefone para não ouvir a resposta, e fabrique uma louca não atendendo à próxima ligação ou atendendo com um "que foi?", afinal, essa mulher está obcecada por você, certo?
7 - Compare com as suas ex-namoradas ou com a namorada do seu amigo.
8 - Diga que não sabe o que quer da vida e que não come 5 grupos de alimentos diferentes.
9 - Negue fogo pela internet ou sms. Azar o dela se está com tesão quando você está longe.
10 - Mantenha fotos de viagens com a sua ex nas redes sociais. Dê a ela a sensação de que aquilo não acabou.
11 - Permita que as suas amigas façam provocações na sua página, porque, convenhamos, mulher nem gosta de marcar território.
12 - Dê check-in no Foursquare comentando que "hoje a noite promete!" quando sair sem ela.
13 - Fale da rotina como se fosse trabalhar montado num unicórnio e estacionasse em uma torre de cupcakes. Relações são baseadas apenas em diversão. Vocês não devem compartilhar dificuldades e criar uma base de companheirismo.
14 - Diga tchau quando ela disser um tchau desaforado. Ela realmente espera que você se despeça. Insistir pra quê?
15 - Espere por outro manual. Ela tem a vida toda.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Acesso
Há um quê de mágico na primeira vez em que alguém me chama de Celle.
É como se uma corrente elétrica passasse pelo meu corpo. Um gesto capaz de acalmar qualquer tempestade, acalentar num dia ruim, me eximir de ter que pedir desculpas. Ah, como é bom não ter que pedir desculpas. Peço tanto que até perde o significado.
É o anúncio de uma intimidade que se inicia. Nada a ver com romance.
Poder me chamar de Celle e me deixar à vontade com isso é um convite para jantar. Uma fofoca no Facebook. Uma ligação a qualquer hora, por qualquer motivo, porque eu pareço a pessoa certa para ouvir um desabafo. É pedir para me desmanchar.
Quer dizer que você sabe que dou patadas quando estou aflita, ou que preciso cometer uma gordice quando estou ansiosa. Quer dizer que você é o (a) parceiro (a) perfeito para isso.
Capaz que soe estranho a quem me conhece com essa cara de quem devora um geek no almoço e palita os dentes com a canetinha do seu tablet. Tenho mil mecanismos de defesa.
Quem diria que o código de acesso seria algo tão bobo? Uma parcial do meu nome. Menos mal. Seria chato se tivessem que me chamar pela data de nascimento.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Espiritualizado é o *$%#¨@&!
A tal paz de espírito tem sido tão desejada quanto o último lançamento da Polishop. Parece que vai transformar as nossas vidas assim que pusermos as mãos nela. Não, não só parece. Estar em paz realmente muda todo o panorama.
O problema está em identificá-la. Enxergo camadas e camadas de hipocrisia em gente que se diz espiritualizada falando manso, fazendo falsas preces, participando de ONG's. Bullshit. Pode haver uma ou outra pessoa que realmente faça essas coisas, mas a maioria está no auto-engano. Até que ponto as suas preces são válidas depois que você começa a maldizer os outros? Até que ponto a caridade é válida se você não estende a mão para o amigo mais próximo? Até que ponto vale falar manso se for para manipular?
Tenho procurado essa paz de espírito há mais de uma semana, embaixo de cada pedra e por trás de cada cortina, nas lojas de conveniência. Não estava lá. Esgotou. O balconista avisou que liquidaram após o carnaval.
Fui obrigada a confeccionar em casa. Costurei amizades antigas, mesmo que meio tortas; preguei alguns botões nos relacionamentos mal acabados; diminuí a barra nas discussões e tirei o fundo falso.
Até que me vestiu bem, mas sinto que acentuou a minha bunda. Todos que me vêem vestida com ela pensam "olha lá ela querendo chamar atenção". Fazer o quê. Pareceu melhor do que lavar a roupa suja.
sábado, 16 de junho de 2012
Essa guerra não é minha
A primeira coisa que eu costumo perguntar a uma pessoa recém-conhecida é "o que eu preciso saber sobre você para garantir a nossa sobrevivência?"
Há quem ria e inicie um papo despretencioso que pode durar horas. Há quem leia ou escute apenas "sobrevivência" e responda sobre comida e primeiros socorros. O último caso é clássico e um alarme para a insegurança. Baixam-se as cortinas e sobe um letreiro reluzente: "tenho travas, ainda não aprendi a falar com as pessoas". Calma. Tem conserto!
Não importa exatamente a resposta. O que conta é o mecanismo por trás dela.
Há quem vista o manto do grande amigo e incentive pensamentos ruins. Gosta de ver o circo pegar fogo, mas entrega a caixa de fósforo na mão de outra pessoa. Faz fofoca disfarçada de confidência. Eu deixo passar. Enterro a pessoa e reafirmo meu compromisso com a felicidade.
Eu gosto de pessoas. Quando elas gostam de mim de volta, é bônus. Quando alguém se permite contaminar por uma opinião negativa a meu respeito, sem me conhecer, penso "Deeeus, mais um? Será que alguém fará diferente neste ano?". O meu novo bordão é "em quanto está o bolão?".
Dá dó ver uma pessoa mergulhando no auto-elogio. Sou obrigada a enxergar aquele indivíduo como um farsante. A mulher que se acha irresistível a todo macho na Terra; o homem que acredita que é um amante carinhoso e o problema estava todo na ex. Não.
Uma pessoa vaidosa demais é capaz de ver a atenção que você recebe e ir lá mostrar que também merece aplausos. Cobra a conta da sociedade. Compete com quem não está jogando. Seja numa sala de aula opinando sobre o que não conhece ou numa conversa de bar, buscando as mesmas risadas que você proporciona. Na nota fiscal deve vir escrito "2kg de admiração à vista". Também queria passar a cobrar a nota, mas a minha vida é malandra e sonega.
Não importa o que eu ou qualquer outra pessoa tenha a falar. Em nossas descrições pessoais, sempre seremos a nossa melhor versão. Saímos todos da escola do Professor Xavier. Somos únicos. Edição de colecionador, embalada a vácuo.
Um dia, quem sabe, todos possam aprendem de uma vez por todas que as nossas verdades são escritas pelas nossas atitudes.
domingo, 10 de junho de 2012
Você é o roteirista
Quem nunca se sentiu infeliz com a própria vida? É comum que tenhamos o hábito de praguejar contra alguma entidade divina ou o ex-namorado mais próximo. Mas será que somos capazes de assumir que somos os únicos responsáveis pela nossa felicidade? Que uma pedra no caminho merece um belo pontapé? Se ela não se mover, basta alterar o curso.
Hoje resolvi fazer uma reforma. Algo material, espiritual e social.
Dizem que o Facebook é uma vitrine. Dia desses reparei que um rapaz parecia ter uma felicidade de fachada. Coisa pobre de espírito essa de ter uma ideia sobre quem eu nem conheço, pensar que sei algo sobre a vida das pessoas porque acompanho suas atualizações milimetricamente pensadas. Somos todos topo de iceberg.
Vejo gente demais se lamentando por não ter uma paixão no dia dos namorados que se aproxima. Não há nada tão interessante nessa data quanto encontrar uma pessoa solteira e de bem com ela mesma. "Não foi desta vez" e a vida segue. Ser feliz é afrodisíaco.
A primeira coisa que joguei fora na caçamba dessa reforma foi a pena que eu sentia de mim. Não quero mais me questionar por que algo deu errado. Quero viver a minha vida transmitindo e atraindo coisas e pessoas boas, mesmo que do meu jeito ácido. Afastando tudo que me atrasa.
Nada como estar em paz.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Menos, bem menos.
Não há idade tão chata e pedante quanto os laureados 18 anos. Como se aniversários fossem milhas acumuladas para a onipotência, um cartão de boas-vindas ao mundo dos adultos.
A partir daí, surgem os adolescentes cheios de opiniões rasas, sem educação e com alguma noção de que ser "do gueto" é ter atitude. É ainda mais feio nas mulheres, e algo comum na última safra, que cresceu adornada por clipes do 50 Cent. Alguns se apegam tanto a essa fase que jamais saem dela. Ter 18 anos aos 30 não é nenhuma fonte de juventude eterna; talvez seja apenas uma imbecilidade disfarçada de cacife.
Estou para ver situação mais patética do que a de um jovem que está disposto a falar tudo e a ouvir nada. Que não sabe que discordar de uma pessoa pede por cordialidade. Um simples "é um bom ponto de vista, mas, na minha percepção, ____________" traz polidez e razoabilidade a qualquer assunto tratado. É uma pena que se sirva constantemente de uma face arrogante, que não olha para os lados e se dispõe a continuar sua diarréia oral na máxima potência. Parece que está no topo da cadeia alimentar.
Recomendo com a sutil sabedoria adquirida nos últimos anos (e com ares de Karatê Kid): calma, pequeno gafanhoto*.
* licença poética.
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